O Instituto Superior de Agronomia (ISA), em Lisboa, acolheu, no passado dia 30 de junho, a conferência “A Floresta Ibérica e os Mercados Voluntários de Carbono”, integrada na EU Green Week 2026.
A iniciativa foi coorganizada pela Mota-Engil ATIV, pelo Instituto Superior de Agronomia e pela ADENE – Agência para a Energia, contando com o apoio institucional da Agência para o Clima (ApC) e da United Nations Global Compact Network Portugal, bem como com o patrocínio da Mota-Engil BCircle.
O encontro reuniu especialistas, decisores políticos, investigadores, proprietários florestais e empresas de Portugal e Espanha para debater o papel dos Mercados Voluntários de Carbono na valorização da floresta, na ação climática e no desenvolvimento sustentável dos territórios.
A sessão de abertura contou com a presença da Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, e do Secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, que destacaram a relevância destes instrumentos para apoiar a transição climática, promover a gestão florestal sustentável e criar oportunidades de valorização económica dos ecossistemas florestais.


Ao longo dos vários painéis de debate, especialistas nacionais e internacionais analisaram a evolução dos mercados voluntários de carbono, a necessidade de assegurar elevados padrões de integridade e transparência, os desafios associados à procura de créditos de carbono e a importância de desenvolver metodologias robustas que garantam confiança e impacto ambiental efetivo. Foi igualmente sublinhado o papel da ciência na adaptação da floresta às alterações climáticas e na maximização da sua capacidade de sequestro e armazenamento de carbono.
A conferência proporcionou ainda a partilha de experiências concretas de projetos desenvolvidos no terreno, evidenciando desafios como a fragmentação da propriedade florestal, a dificuldade em alcançar escala e a necessidade de criar mecanismos que reconheçam o valor global dos ecossistemas.
Os participantes destacaram que os créditos de carbono constituem apenas uma das componentes de valor geradas pela floresta, que inclui igualmente benefícios para a biodiversidade, para a conservação dos recursos naturais, para a economia local e para o bem-estar das comunidades.


Durante o evento, a Mota-Engil BCircle apresentou o potencial do biochar enquanto solução inovadora para a valorização da biomassa residual, a redução do risco de incêndio e a promoção de remoções permanentes de carbono, demonstrando como a inovação tecnológica e as parcerias estratégicas podem contribuir para acelerar a implementação de projetos climáticos com impacto real nos territórios.
Em linha com os princípios defendidos ao longo da conferência, a organização apresentou também o cálculo preliminar da pegada carbónica do evento. As medidas de mitigação implementadas permitiram reduzir cerca de 14% das emissões estimadas, reforçando a importância de integrar preocupações ambientais na organização e gestão de iniciativas deste género.


No encerramento, José Pedro Freitas, Presidente da Mota-Engil ATIV, destacou o carácter pioneiro da iniciativa, que reuniu, pela primeira vez, representantes de Portugal e de Espanha para um debate conjunto sobre os desafios e oportunidades associados à floresta ibérica e aos Mercados Voluntários de Carbono. A intervenção reforçou a importância da cooperação entre empresas, entidades públicas, academia, investidores e gestores do território para desenvolver soluções capazes de gerar valor ambiental, social e económico, contribuindo simultaneamente para a valorização da floresta e para a ação climática.


Reconhecida como EU Green Week Partner Event, a conferência constituiu um importante espaço de reflexão, esclarecimento e partilha de conhecimento sobre o futuro dos Mercados Voluntários de Carbono, evidenciando o seu potencial para mobilizar investimento para a floresta, promover uma gestão mais sustentável dos ecossistemas e reforçar a resiliência dos territórios ibéricos face aos desafios das alterações climáticas.